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segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Do Livro Poesia Velha - De Jaiel de Assis



23 – Distâncias Geográficas



Amigos se entendem por seus interesses.
Se estão perto sentem saudade e querem se ver.
Se estão longe, acreditam na distância do tempo.
Mas as distâncias espaciais e do tempo
Não superam a velocidade da luz.
A luz caminha com o pensamento.
Quando penso em alguém, aí estou.
Mesmo estando ocupado, com mil afazeres,
Posso pensar e lembrar de quem quiser.
Lembrar de quem amo ou de quem não amo.
Quando não lembro de alguém é por que não existe
Ou é totalmente indiferente para mim.
O indiferente é vácuo até que se revele algo.
E algo que um dia me aparece apontando uma arma
Pode brilhar em brasas e separar corpo e pensamento.
O corpo aos vermes, ao choro e lamentos de amigos;
O pensamento surpreso galopando sua luz.

domingo, 14 de dezembro de 2008

Do Livro Poesia Velha - De Jaiel de Assis

foto Lene

15 – Amizade
(Aos Amigos)

A amizade é linda, uma fruta, assim,
Saio perdido, em plena mata, enfrentando
Fome, sede, frio e claridade.
Paro assim ainda cansado e assustado
Sob um velho pé de caju.
Seus ramos me dão a sombra
E ao alcance de minha mão,
O caju e a castanha,
Água e amizade,
Pão e proteção.

sábado, 13 de dezembro de 2008

Do Livro Poesia Velha de Jaiel de Assis

foto Pepe Araneda

14 – Longe da cidade natal


Morrer é assim, ir para outra cidade,
Fazer novos amigos,
Ter inimigos e pessoas indiferentes
Ao nosso redor.
Os antigos amigos,
Os familiares,
Sentirão pesar, lembrarão de nós,
Vão chorar durante as festas,
Do calendário comercial e nos dias santos,
Depois esquecimento!
Morrer é assim, deixar o carro em qualquer lugar,
Sair andando em busca de coisas novas,
Novas emoções.
Alguns terão sonhos, visões e até pesadelos,
Dirão que nos viram e falaram conosco.
Alguém vai tremer de medo vendo nossa imagem
E gritarão: “vai de retro satanás!”.
Assim em vez de amigo, de uma pessoa querida,
Seremos demônio, o coisa ruim, o capeta.
Mas sempre existirá alguém que olhará o céu
E verá numa nova estrela o nosso olhar.
Na nova cidade tudo é novidade...
Alegria, dor, medo, incerteza, esperança e até revolta...
Morrer é assim, mudar de lado.