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domingo, 2 de dezembro de 2007

Poesia nas Canções


Não fizeram nada por mim

(Alex Madureira)




Nem os homens da civil

Nem os homens do senado

Do poder legislativo

Da câmara dos deputados

Nem os homens da assembléia

Da guarda municipal

Do governo do estado

Do distrito federal

Nem os homens da esquerda

Nem os homens da direita

Nem os homens da ciência

Os homens da Educação

Nem os homens de gravata

Meio mundo de burocratas

Com a cara de babaca

Que ganham sem trabalhar

Nem os homens da igreja

Que só sabem rezar

Nem os homens da tv

Nem os homens do jorná

Os dragões da independência

E a polícia floresta

Polícia rodoviária

Polícia federá

Os homens da prefeitura

Os homens da situação

Os homens da ditadura

Exercito da salvação

Os soldados e recrutas

E todos seus generais

Eles nunca me ajudaram

Nunca lutaram ao meu lado

Me deixaram na mão

Não fizeram nada por mim





Tocando desde a década de 1970 o compositor e produtor lançou o CD “ Deu o Carai”. Já tocou com ícones da MPB como Lenine, Xangai, Elba Ramalho e hoje faz parte da Banda Labacé junto com Escurinho.

sábado, 1 de dezembro de 2007

Poesia nas Canções


Savanas

(Escurinho)

Uns vieram de navio

Outros aqui já estavam

Muitos vieram na marra

Deixando pra trás suas ilhas

O amor de suas filhas

E o abraço das mulheres

Que por ventura lhe amavam

O rosto negro nas savanas

A festa, a colheita

Os tambores, os tambores

http://escurinho.uol.com.br/

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Poesia nas Canções


Ancestrais

(Milton Dornelas)






Pra cantar eu vim

De tão longe que nem sei de onde sai

Era festa de terreiro isso eu vi

Um matraquear de palmas de tantas mãos escravas

Com sorrisos e tambores dentro da noite

Trago um coração

Apanhado no meio do algodoal

Meio lua, meio pandeiro, meio trovão

Um matraquear de palmas de tantas mãos escravas

Com sorrisos e tambores dentro da noite

O tempo espicha em mim

Marcado na pancada do pilão

No tronco, no batuque, em quebra mar

Um matraquear de palmas de tantas mãos escravas

Com sorrisos e tambores dentro da noite

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Poesia nas Canções


Sete Boleros Cardíacos

(Paulo Ró e Marcos Tavares)



Nada que é vidro é eterno

Blindado porquê?

Coração de ferro me atraiçoastes

Não te bastava então

A lima dos meus dentes

Moendo o vai-e-vem do pranto

Precisavas tanto de um cristal

Blindado coração

Em que inferno cozi tua limalha

Essa tralha enorme de saudade

Põe tua mão e ausculta

Esse coração de puta

Batendo na porta errada

O coração como culpa

Batendo dentro do peito

Um pede perdão perfeito

Um ato de contrição

Põe tua mão e ausculta

Esse coração de puta

Batendo na porta errada