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quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Um Conto de Jaiel de Assis


Puta que pariu! Quase um conto de Natal!

O garotão malhado tinha quase dois metros de altura, uma tatuagem caveira que dava medo só de olhar, músculos de todos os lados, um bad boy da pesada.
Todo fim de semana estava naquele barzinho apavorando! Mexia com as mulheres, namoradas, casadas, dava tapa na cara dos homens, tomava cerveja e não pagava, mostrava o pau e xingava qualquer um.
Diziam que ele era parente de um político importante, um prefeito ou deputado, desses que se envolve em maracutaias e rouba o dinheiro publico, dinheiro do povo, era um protegido da banda podre do poder.
Por isso era aturado, a policia prendia, mas, o político parente soltava, diziam que tinha grana, pele fina, gente da alta.
Um dia apareceu um baixinho tocando violão e tomando cachaça naquele bar que o bad boy sempre freqüentava. O baixinho tocava, estava feliz, atendia a todos os pedidos daquelas músicas dos bares.
Toca Ronda, ele tocava, canta uma do Amado Batista, ele cantava e assim a turma bebia e se alegrava...
O bad boy entrou no bar naquela sexta-feira do jeito que ele sempre entrava como o rei do pedaço, querendo o olhar de todos, querendo ser amado.
Todos cantavam junto com o baixinho e nem olharam pra ele, nem repararam na sua tatuagem nova no braço esquerdo um dragão enorme cor de sangue.
Quando se deram conta o baixinho estava no chão, boca ensangüentada, violão jogado, pinga e cerveja derramada.
Quando olharam de novo ouviram um, dois, três tiros, o bad boy caído olhando sem acreditar para o baixinho... O primeiro tiro na perna direita, o outro na boca do dragão e o terceiro na bunda.
Olharam mais uma vez e o bad boy chorava, pedia perdão, se peidava, se mijou todo, aquele mijo de medo da morte.
O baixinho agora tinha guardado a pistola, uma 765, sacou uma coisa brilhante, uma faca peixeira, abriu a braguilha do cara e cortou o pau, depois com muita calma, como quem já fez o curso de inteligência emocional, arrancou os olhos azuis do bad boy e colocou num saco desses de pipoca junto com o pau que ele gostava de mostrar para as mulheres dos outros.
O Baixinho, olhando a turma um tanto quanto assombrada, mostrou o saco onde havia colocado pau e os culhões arrancados e pediu que mandassem para o político parente do bad boy de presente...
Pegou a viola, pagou a conta e desapareceu na noite...
Uma mulher ainda assustada gritou: “E ainda dizem que não existe justiça!”

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

ArteLiivre - Lançamento


NHOCUNÉ SOUL
Lançamento do disco Amando, Sambando

convidados
Neuza Pinheiro, Joana Flor, Tulipa Ruiz,
Luciano Carvalho e dj Marcianno
Sesc Santana

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

domingo, 2 de dezembro de 2007

Poesia nas Canções


Não fizeram nada por mim

(Alex Madureira)




Nem os homens da civil

Nem os homens do senado

Do poder legislativo

Da câmara dos deputados

Nem os homens da assembléia

Da guarda municipal

Do governo do estado

Do distrito federal

Nem os homens da esquerda

Nem os homens da direita

Nem os homens da ciência

Os homens da Educação

Nem os homens de gravata

Meio mundo de burocratas

Com a cara de babaca

Que ganham sem trabalhar

Nem os homens da igreja

Que só sabem rezar

Nem os homens da tv

Nem os homens do jorná

Os dragões da independência

E a polícia floresta

Polícia rodoviária

Polícia federá

Os homens da prefeitura

Os homens da situação

Os homens da ditadura

Exercito da salvação

Os soldados e recrutas

E todos seus generais

Eles nunca me ajudaram

Nunca lutaram ao meu lado

Me deixaram na mão

Não fizeram nada por mim





Tocando desde a década de 1970 o compositor e produtor lançou o CD “ Deu o Carai”. Já tocou com ícones da MPB como Lenine, Xangai, Elba Ramalho e hoje faz parte da Banda Labacé junto com Escurinho.

sábado, 1 de dezembro de 2007

Poesia nas Canções


Savanas

(Escurinho)

Uns vieram de navio

Outros aqui já estavam

Muitos vieram na marra

Deixando pra trás suas ilhas

O amor de suas filhas

E o abraço das mulheres

Que por ventura lhe amavam

O rosto negro nas savanas

A festa, a colheita

Os tambores, os tambores

http://escurinho.uol.com.br/

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Poesia nas Canções


Ancestrais

(Milton Dornelas)






Pra cantar eu vim

De tão longe que nem sei de onde sai

Era festa de terreiro isso eu vi

Um matraquear de palmas de tantas mãos escravas

Com sorrisos e tambores dentro da noite

Trago um coração

Apanhado no meio do algodoal

Meio lua, meio pandeiro, meio trovão

Um matraquear de palmas de tantas mãos escravas

Com sorrisos e tambores dentro da noite

O tempo espicha em mim

Marcado na pancada do pilão

No tronco, no batuque, em quebra mar

Um matraquear de palmas de tantas mãos escravas

Com sorrisos e tambores dentro da noite

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Poesia nas Canções


Sete Boleros Cardíacos

(Paulo Ró e Marcos Tavares)



Nada que é vidro é eterno

Blindado porquê?

Coração de ferro me atraiçoastes

Não te bastava então

A lima dos meus dentes

Moendo o vai-e-vem do pranto

Precisavas tanto de um cristal

Blindado coração

Em que inferno cozi tua limalha

Essa tralha enorme de saudade

Põe tua mão e ausculta

Esse coração de puta

Batendo na porta errada

O coração como culpa

Batendo dentro do peito

Um pede perdão perfeito

Um ato de contrição

Põe tua mão e ausculta

Esse coração de puta

Batendo na porta errada

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Poesia nas Canções







Untoquepornada

(Augusto Silveira/Binho)

Não é o verso

O olho avesso da fome

Do moleque travesso

Do moleque travesso

É o não-verso

Meninez volátil

No dedo chamuscado

Da viagem

No sexo de aluguel

Do mênstruo profano dos anjos

Debaixo de um céu

De coca e cola

Meninos da sete

No centro da cidade

Com seu fulgazes

Sorrisos pálidos

Sempre armando um bote

Por um nada de felicidade

O que pedem suas orações

Os curumins pirados

De tamanho solidown

Um arrastão de idéias poéticas

Não pode salvar

A gangue dos meninos do Brasil

A que senhor servir

Num país de cegos

É o não-verso

O poema de amor disperso

No lixo das ruas

Onde trocamos tiros

terça-feira, 27 de novembro de 2007

Poesia nas Canções


O Cisco

(Baaribu Nonato)

Tanto já foi dito nas canções

Sobre amor, felicidade, beleza

Alegria, tristeza, política, ecologia

Qualidade, costumes, sentimentos e coisas.

Volto-me então para falar de um cisco

Que girava no ar feito um disco

Talvez por isso

Meu pensamento num trisco

Caiu num abismo

Dentro dele

Um infinito

Por fora não visto, a perguntar:

Como fez-se mundo, na menor coisa existente?

Daí pude saber, tudo cria-se na mente

Entre tempo e espaço

A dimensão terceira

Apresenta o universo

Como se tivesse beiras

Na milionésima quinta dimensão

Vejo eu fundo num cisco

Incontáveis vidas outras

Engolindo um quando pisco

Deus comigo viajando

É maior que tudo isso

Por incrível que pareça

Também coube neste cisco.

Lá num tempo vi ainda

Nada começa ou finda

Energia e consciência

Em forma de gente

Indigna-me

O desprezo feito a olho nu

Sobre aquilo que julgamos

Não ter valor algum

Tudo, tudo tem sentido

Aquilo que contém

É também contido.

Sem limite, sem tamanho

Fico mais compreensível

Fecho os olhos limitados

Abro a mente ilimitada

Feito asas, voa aberta

E cai se estiver fechada.

Deus ainda junto a mim

Ofertou-me três pedidos

Assim quando pousássemos

Todos fossem se cumprindo

Primeiro escolhi possuir o conhecimento de todo universo

Segundo, o poder para usar e mudar se eu bem quisesse

Pousamos numa clareira e cumpriu-se o que fora pedido

Fiz o terceiro que deixou-me como antes de ter entrado.

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

ArteLivreCrítica por Jaiel de Assis


Sobre Marolas, Carnaval Fora de Época e outros Frevos

Geraldo Vandré nos ensina que “Quem sabe faz a hora não espera acontecer” e isto é realmente uma grande verdade que até os militares na época de chumbo da ditadura de 1964 viviam repetindo e se vangloriando que souberam fazer esta hora.

Eu, Jaiel de Assis digo: Quem não sabe fazer a hora faz marola e carnaval.

Fazer a hora e fazer carnaval exige competência e eficácia e desejo qualitativo de transformação, se não a hora vira tempos de escuridão ou um carnaval sem graça.

Um exemplo de quem sabe fazer a hora é da líder sindical do Sindicato dos trabalhadores Rurais de Alagoa Grande, Margarida Maria Alves, assassinada há 22 anos por organizar os trabalhadores rurais e lutar contra o latifúndio.

Margarida sabia que para mudar a vida é preciso se organizar e lutar por nossos direitos e que não se muda a vida das pessoas simplesmente mudando seus nomes ou o de suas cidades, é preciso mais, lutar pela transformação qualitativa da vida.

Outro exemplo, agora de quem não sabe fazer a hora mais que sabe muito bem fazer marola e carnaval é do vereador pelo PSB Flávio Eduardo Maroja o tão querido “Fuba” que tão bem arrastas as multidões, principalmente da classe média de João Pessoa, atrás das Muriçocas ou atrás do trio elétrico que parecer o mesmo carnaval.

Não conheço esse diferenciado “Fuba”, mas sei ser bom compositor, cantor e carnavalesco que quer mudar o nome de João Pessoa e revolucionar a vida da cidade.

Eu particularmente gosto do nome da cidade de João Pessoa não pelo João que deu origem ao nome, mas por meu pai se chamar João e pelo sobrenome Pessoa que cabe a qualquer um de nós pessoinha do povo sem nenhum nome tradicional a não ser a alcunha que as elites gostam de nos apelidar de Zé povinho.

O carnaval está nas ruas da ainda João Pessoa e quem está gostando são os famosos numerologistas que já preparam seus de melhores nomes e mantras para ajudar a transformar a velha e bela cidade Jardim.

“Fuba” certamente seguirá a frente deste cortejo cantando o hino das Muriçocas, com a nova bandeira da Paraíba, sem o “Nego” que tantos confunde com negro, num lindo carnaval fora de época.

Notas:

Marola – onda violenta, vagalhão. No popular no Brasil, muito barulho por nada.

Frevo – Um ritmo popular do tradicional do Carnaval do Estado de Pernambuco – Brasil

Carnaval Fora de época – São prévias do carnaval que se realizam e várias cidades principalmente do nordeste brasileiro fora das datas oficiais.

Muriçocas – Um tipo de mosquito, nome de um Bloco de Carnaval de João Pessoa – Paraíba

João Pessoa – Governador da Paraíba, líder da revolução de 1930 que seria vice-presidente de Getúlio Vargas e foi assassinado na cidade de Recife- Pernambuco.

Após sua morte a capital do estado da Paraíba passou a se chamar “João Pessoa” em sua homenagem.

Paraíba e Pernambuco – Estados do Nordeste do Brasil.

Geraldo Vandré – Grande compositor Brasileiro que foi perseguido e torturado pela ditadura militar instalada no Brasil no golpe de 1964.

É autor das músicas Disparada e Pra não dizer que não falei das flores.

Margarida Maria Alves líder sindical do Sindicato dos trabalhadores rurais da cidade de Alagoa Grande – Paraíba e que foi assassinada há 22 anos pelo latifúndio.

PSB – Partido Socialista Brasileiro

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Do Livro Revolta! Razão das Massa de Jaiel de Assis


Chama morta

O amor acaba, diz alguém.
Eu digo:
O que acaba é a capacidade de amar.
De trepar alguém,
De sentir gozo,
De ser fruto mel,
Na boca, no corpo.

É esta capacidade que foge na vida
E que tantos homens e mulheres
Chamam de paixão.
E como fogo que arde veloz
E queima a alma e fere a vida.

É isto que se apaga como todo fogo,
Como toda chama,
É isto que me queima,
É isto que me gela,
Quando as vezes nos queremos
Com a chama morta a vomitar cinzas
Apagando o amor.